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Bolsonaro diz que não há nenhum problema entre o governo brasileiro e o chinês

Publicada em 20/03/20 as 11:40h por Por G1 - 7 visualizações

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 (Foto: Rádio Moderna FM)
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (20) que não há nenhum problema entre o governo do Brasil e o da China. Ele deu a declaração ao ser questionado por jornalistas, na saída da residência oficial do Palácio da Alvorada, sobre postagem de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), responsabilizando o governo chinês pela pandemia de coronavírus.

A fala de Eduardo gerou reação do embaixador da China no Brasil, que criticou o deputado. Para o presidente, no entanto, o episódio já é "página virada".

"Não há nenhum problema com a China. Zero problema com a China. Se tiver que ligar pro presidente chinês, eu ligo sem problema nenhum", afirmou Bolsonaro.

Combate ao coronavírus estimula solidariedade e união no Brasil e no mundo
Questionado na entrevista se considera a China culpada pela pandemia, Bolsonaro disse que a imprensa publica há meses que o surto de coronavírus se originou na cidade de Wuhan, na China.

“Não manifesto minha opinião sobre esse assunto. Vocês têm dito e escrito constantemente que esse vírus nasceu em Wuhan, na China. Esse assunto é página virada, não existe problema com a China”, ressaltou.

Bolsonaro afirmou ainda que é seu dever, como chefe de Estado, ligar para Xi Jinping, caso seja necessário, para buscar soluções e estratégias de combate ao coronavírus.

“Se houver necessidade, tem uma necessidade muito maior, a questão do vírus lá [na China] que a curva está em descendência, os hospitais estão sendo desativados. O que foi utilizado para chegar a esse ponto? Se houver necessidade, eu ligarei sim para o presidente Xi, sem problema nenhum. Faz parte do meu ofício tomar uma atitude como essa”, afirmou.

Embaixada da China subiu o tom com o deputado Eduardo Bolsonaro

Críticas a 'medidas extremas'
Bolsonaro voltou a criticar o que considera “medidas extremas” adotadas, segundo ele, por alguns governadores, para evitar a circulação de pessoas e tentar conter o avanço do coronavírus.

“Tem certos governadores, criticar de novo, que estão tomando medidas extremas, que não competem a eles, como fechar aeroporto, fechar rodovias, não compete a eles. Fechar shopping etc, fechar feira”, declarou.

A crítica teve como um dos destinatários o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que determinou a suspensão de voos nacionais para o estado oriundos de locais onde foram registrados casos de coronavírus, além de todos os voos internacionais.

Witzel quer suspender ponte-aérea e outros voos e isolar o Rio para transportes de passageiros
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já divulgou nota na qual afirmou que cabe somente à União o fechamento de aeroportos.

“A economia está parando, está parando. Estão tomando medidas, no meu entender, exageradas. Fechar aeroporto no Rio de Janeiro. Não compete a ele meu Deus do céu [...] Vi o decreto do governador do Rio e confesso que fiquei preocupado, parece que o Rio de Janeiro é um outro país. Não é outro país”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro frisou que, caso o comércio seja paralisado, faltará comida na mesa das pessoas e haverá risco de saques. Brasileiros com falta de comida, segundo o presidente, ficarão mais propensos a complicações com o novo coronavírus. Ele ainda repetiu que não se dever ter “pânico” neste momento diante da pandemia.

“Eu não posso, como chefe de estado, sair gritando por aí ‘vai morrer todo mundo, não tem jeito’. Não podemos entrar nessa situação, no pânico. Piora a situação do Brasil. Tenho que falar a verdade e transmitir tranquilidade ao povo brasileiro”, declarou.

'Fé' em vacina ou remédio
Bolsonaro declarou na entrevista ter “fé” na criação de uma vacina ou remédio para combater o novo coronavírus.

“Tenho fé em Deus, acredito em Deus que venha uma vacina, que venha um remédio para curar isso daí”, disse.

O presidente informou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está em contato com o órgão equivalente nos Estados Unidos para se informar sobre o uso de hidroxicloroquina, remédio para malária que está sendo analisado para coronavírus .

“Conversei hoje com o almirante Barra [Torres], médico, presidente da Anvisa, sobre hidroxicloroquina. Ele está em contato com a Anvisa, o equivalente lá nos Estados Unidos. No primeiro momento, em laboratório deu certo essa questão, outros países como a Índia têm avançando, está sendo feito contado com esses países, com essas entidades, para gente buscar ali o remédio ou a vacina, ou ambos”, explicou.

A Anvisa, contudo, disse a quinta não haver recomendação para uso de medicamentos que contém hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento do coronavírus.

Já o presidente dos Estados Undiso, Donald Trump, disse que o governo avalia a hidroxicloroquina e o medicamento antiviral experimental da Gilead Sciences, o Remdesivir, que passa por testes clínicos para a doença respiratória.

Fronteiras
Bolsonaro afirmou que negocia um ato conjunto com o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, para fechar a fronteira terrestre entre os dois países, a exemplo da decisão do Brasil em relação a outros países da América do Sul.

“O presidente que recém assumiu lá, nós queremos fazer algo em comum acordo. Agora, na verdade, é quase como se fosse um país só, é uma linha imaginária”, disse Bolsonaro.

Para o presidente, o fechamento de fronteiras atenua a crise do coronavírus, porém não resolve a situação.

“Pessoal fala que, se fechar, resolveu. Lógico, vai atenuar o problema, mas não vai resolver”, declarou.

Aeroportos
Bolsonaro foi perguntado o motivo da ausência de dos EUA, onde os casos da Covid-19 estão em alta, da lista de países cujos cidadãos não poderão entrar no Brasil em voos internacionais nos próximos 30 dias.

Segundo Bolsonaro, a situação nos EUA não é tão grave e o Brasil precisa manter certo nível de contato com outros países.

“Está numa situação semelhante à nossa, não é privilegiar esse ou aquele país. Não há, no meu entender, esse aumento que está sendo falado por aí, tá certo?”, disse.





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